Siemens e Hitachi disputam contrato de alta velocidade da Renfe

A licitação da Renfe para até 40 comboios de alta velocidade fica reduzida a dois concorrentes após a exclusão da Talgo, com um calendário de entrega particularmente exigente.

Siemens e Hitachi disputam contrato de alta velocidade da Renfe
Imagem criada por IA de um Siemens Velaro MS e de um ETR 1000 da Hitachi com as cores da Renfe AVE em Madrid-Puerta de Atocha. GEMINI/Miguel Bustos.

Miguel Bustos | 27-06-2026.

Apenas dois fabricantes irão competir pelo fornecimento de 30 comboios de alta velocidade à Renfe, com opção para mais 10. Siemens, Hitachi e Talgo apresentaram propostas, mas a construtora espanhola fê-lo fora do prazo.

O concurso da Renfe para até 40 unidades de alta velocidade fica assim reduzido a um duelo entre a Siemens Mobility e a Hitachi Rail. O prazo terminou na passada terça-feira. Segundo Víctor de Elena, do ElEconomista.es, foram submetidas três propostas, incluindo a da Talgo; no entanto, foi imediatamente excluída por entrega tardia, sem avaliação. A Alstom optou por não participar.

A licitação contempla um pedido inicial de 30 comboios no valor de 1,362 mil milhões de euros, com opção para mais 10 unidades que elevariam o total para 1,777 mil milhões. O calendário é particularmente exigente, exigindo a entrega das primeiras unidades já homologadas num prazo máximo de 40 meses.

ETR 1000 da Hitachi

O ETR 1000 da Hitachi surge como favorito. Trata-se do mesmo material circulante operado pela Trenitalia e pela Iryo em Itália, França e Espanha sob a marca Frecciarossa 1000. Desconhece-se se foi proposta a primeira geração, semelhante à série 109 da Iryo, ou a segunda geração já em serviço em Itália. Esta última substitui tecnologia não transferida pela Alstom por sistemas próprios e introduz melhorias de eficiência energética e conforto.

Velaro da Siemens Mobility

A Siemens declarou publicamente que considerava a apresentação do Velaro Novo, concebido para velocidades comerciais de até 360 km/h. Contudo, trata-se ainda de uma plataforma em desenvolvimento: apenas um reboque foi construído para ensaios de homologação, nos quais atingiu 405 km/h, permitindo uma eventual exploração a 350 km/h.

De momento, o Velaro Novo não tem encomendas na Europa, nem linha de produção ativa, nem composição completa para homologação integral. Para cumprir o calendário, a opção mais realista será o Velaro MS (ICE 3neo ou série 408), evolução do Velaro D com elementos do Novo, já em serviço na Alemanha, Bélgica e Países Baixos. Não se exclui uma variante híbrida com mais inovações do Novo.

É necessária uma via para circular a 385 km/h

Outro condicionante é a necessidade de realizar ensaios a 385 km/h, requisito para homologação a 350 km/h. Esta velocidade já foi superada nos testes da série 103, o único comboio europeu autorizado a circular a 350 km/h. Entre 16 e 17 de julho de 2006, a unidade 103-002 estabeleceu o recorde ferroviário espanhol com 403,7 km/h na LAV Madrid–Barcelona.

No entanto, o estado atual da infraestrutura torna improvável atingir essa velocidade, embora esteja prevista uma renovação integral precisamente nesse troço.

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