Com pouco tempo restante para os fabricantes apresentarem propostas para fornecer e manter 30 composições de alta velocidade à Renfe, com opção para mais 10, o operador alargou o prazo até 23 de junho.
Embora já fosse expectável, a Siemens confirmou agora que está a avaliar uma proposta baseada no Velaro Novo, em vez do Velaro neo. Tal decorre das declarações de Ricardo Ramos, CEO da Siemens Mobility para Espanha e Sudoeste da Europa, em entrevista ao ElEconomista.
Ramos indicou que “estamos a avaliar apresentar a plataforma Velaro Novo, a evolução natural do Velaro (série 103 da Renfe), que opera aqui há duas décadas”.
Como evolução face ao Velaro neo (série 408 da DB), o Novo oferece ganhos significativos de eficiência energética, consumindo cerca de 30% menos energia a 300 km/h, o que representa uma redução anual de aproximadamente 1.375 toneladas de CO₂. Este desempenho é complementado por uma redução de massa de 15% graças a construção leve e por um aumento de 10% na capacidade de passageiros.
Um dos elementos-chave é o conceito de “tubo vazio”, que elimina equipamentos fixos nas caixas, permitindo um interior totalmente modular e reconfigurável conforme as necessidades do operador, mesmo anos após a entrada ao serviço.
Em termos de manutenção, integra sensores avançados de monitorização contínua, permitindo diagnóstico permanente e reduzindo significativamente os custos ao longo do ciclo de vida.
Contudo, o Velaro Novo não dispõe atualmente de linha de produção ativa nem de homologação em qualquer país europeu, fatores que podem dificultar o cumprimento de um calendário com entrada em serviço em menos de quatro anos. Refira-se que a Deutsche Bahn optou pelo Velaro neo no seu mais recente contrato, privilegiando uma solução de menor risco após atrasos em variantes anteriores, ainda que com incorporação de inovações do Novo.
Salvo alterações de última hora, o principal concorrente deverá ser o ETR 1000 da Hitachi, mais alinhado com o calendário previsto. A sua segunda geração, que corrige limitações iniciais e substitui tecnologia da Alstom por sistemas Hitachi, já se encontra em produção e em processo de homologação em vários países europeus, facilitando a entrada ao serviço na Renfe.
A Alstom poderá igualmente apresentar o Avelia Stream, evolução das plataformas AGV e Zefiro da Bombardier (esta última na base do ETR 1000). Contudo, trata-se de um comboio ainda não fabricado nem homologado. Perante o requisito de tração distribuída, o Avelia Horizon fica, na prática, excluído.
