Renfe alarga prazo para propostas de 30 comboios de alta velocidade

Renfe adiou o prazo para os fabricantes apresentarem propostas para 30 novos comboios de alta velocidade de 9 para 23 de junho, ajustando o calendário de um concurso sensível num mercado liberalizado.

Renfe alarga prazo para propostas de 30 comboios de alta velocidade
Comboio BR 408 da Deutsche Bahn em Ahrem (Países Baixos) (CC BY SA) ROB DAMMERS-Wikimedia Commons. Imagem cortada e imagem da Deutsche Bahn alterada para a da Renfe.

Miguel Bustos | 1-06-2026.

O concurso para 30 comboios de alta velocidade, com opção para mais 10, foi alterado. A Renfe estendeu o prazo de entrega de propostas até 23 de junho, em vez de 9 de junho.

O procedimento foi lançado a 1 de abril, apenas uma semana após a aprovação pelo Conselho de Administração da Renfe. Dada a sensibilidade do processo, os cadernos técnicos foram classificados como confidenciais e entregues em mão aos interessados até 21 de abril.

A urgência em substituir a envelhecida Série 100 e aumentar a oferta de alta velocidade levou a um prazo apertado de dois meses para analisar especificações e submeter propostas.

A extensão não altera, para já, a data de abertura das propostas económicas, mantida em 9 de setembro de 2026. Para assegurar a qualidade, o preço terá um peso de apenas 30% nos critérios de adjudicação.

30 novos comboios a 350 km/h

São escassos os detalhes, para além de um orçamento base de 1,563 mil milhões de euros e da exigência de entrada ao serviço em menos de quatro anos.

O calendário é exigente: as primeiras unidades devem ser entregues antes do mês 40 após a adjudicação, seguindo-se um comboio a cada mês e meio até concluir a encomenda no mês 78.

A principal característica técnica conhecida é a velocidade máxima de 350 km/h, em linha com a modernização da LAV Madrid–Barcelona anunciada em novembro de 2025. Juntar-se-ão às 26 unidades da Série 103, as únicas na Europa homologadas para essa velocidade.

Entre os candidatos mais fortes, pela maturidade dos produtos, linhas de produção ativas e homologações em curso ou concluídas, destacam-se:

  • Alstom com o Avelia Horizon, plataforma de dois pisos; se a capacidade não for determinante, poderá propor o Avelia Stream, evolução que converge o AGV e o Zefiro da Bombardier.
  • Hitachi com o ETR1000, referência da indústria italiana; a segunda geração, já sem tecnologia Alstom/Bombardier e com melhorias como maior espaço para bagagem, está em desenvolvimento.
  • Siemens com o Velaro neo ou o Velaro novo; comercialmente, o fabricante procura colocar o novo, ainda sem clientes na Europa, enquanto o neo oferece fiabilidade comprovada e múltiplas homologações.

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