A Renfe afirmou na sua conta na X que não recebeu as duas primeiras UTE de grande capacidade da série 452, fabricadas pela Alstom. Até ao momento, o fabricante não procedeu à entrega de qualquer unidade ao operador. Embora possa parecer que um compromisso de entrega em junho não foi cumprido, a Alstom sustenta que não existia uma data contratual firme.
A controvérsia surgiu a 6 de julho, quando o Invertia noticiou que a Alstom tinha concluído os dois primeiros comboios em junho. Esta informação deve ser interpretada com cautela. Mesmo com os trabalhos de fabrico concluídos, um comboio não pode ser considerado completo—nem muito menos entregue—sem certificação. O Invertia referia-se à conclusão dos trabalhos, embora sugerisse cumprimento de prazos.
Série 452 ainda sem homologação
Um requisito essencial para considerar as unidades concluídas é a autorização da Agência Estatal de Segurança Ferroviária (AESF), que ainda não foi concedida. Sem esta, a Renfe não pode rececionar formalmente os comboios, podendo ainda ser exigidas alterações ao material circulante.
Os prazos para a Autorização de Entrada em Serviço podem prolongar-se. Situação semelhante ocorre com infraestruturas, que podem estar concluídas meses antes de serem autorizadas para exploração comercial. A Alstom terá estimado obter a certificação em junho, uma previsão que se revelou otimista.
Após a autorização, as duas primeiras unidades poderão ser entregues à Renfe. Seguir-se-ão a formação de maquinistas e os ensaios de linha. Trata-se de um processo já em curso com a série 453 da Stadler nas Cercanías de Madrid, onde o fabricante suíço tem mantido vantagem neste contrato.
Transporte rodoviário desde Santa Perpètua
As obras de duplicação na Linha 222 entre Bifurcació Aigües e Latour-de-Carol, até Vic, interromperam a ligação ferroviária da fábrica da Alstom em Santa Perpètua à rede nacional. Consequentemente, as unidades estão a ser transferidas por estrada para ensaios e expedição.
Os atrasos na entrega da série 452 estão a afetar a imagem da Alstom, num contexto de derrapagens de calendário em vários projetos de material circulante.

