A substituição dos 41 comboios das séries 447 e 464 da Cercanías Valencia por outros da série 465 provenientes da Cercanías Madrid gerou muita polémica. Embora a Renfe tenha esclarecido a decisão e assegure que haverá um aumento de lugares porque os comboios são mais compridos, haverá circulações em que o número de lugares se reduzirá significativamente.
Atualmente, nas linhas C-1, C-2 e C-6 é habitual ver comboios em composição dupla em hora de ponta, ou seja, duas unidades juntas a prestar serviço, o que permite duplicar os lugares num único comboio. Assim, uma 447 em dupla pode transportar até 1.098 pessoas e uma 464 em dupla atinge os 1.200 lugares. As 465 oferecem 748 lugares, subindo para 1.496 em composição dupla.
No entanto, os comboios da série 465 não poderão circular em dupla na linha C-1, pois há algumas plataformas que não comportam comboios de 200 m.
Este problema resolver-se-ia ampliando as plataformas, como se vai fazer na C-5 da Cercanías Madrid — uma obra dispendiosa que, contudo, permite aumentar a oferta sem necessidade de mais capacidade na via. A ampliação das plataformas não está prevista.
A Trenvista contactou o Ministério dos Transportes, a Adif e a Renfe para perguntar por esta possível ampliação. Do Ministério ninguém respondeu, e a Adif remete para o operador público para conhecer a operativa. Por outras palavras, a linha C-1 da Cercanías Valencia fica sem composições em dupla.
A Renfe garante que, com a mudança para as 465, mesmo em simples, se aumentará a capacidade total ao longo do dia. Segundo informou o operador a este meio, haverá um aumento de capacidade importante que se ajusta à procura e serão feitos os ajustes necessários.
O operador argumenta que, com esta capacidade e o aumento de circulações, não serão necessárias composições em dupla e haverá uma maior disponibilidade de material. Substituem-se 41 comboios que agora circulam em dupla em algumas faixas horárias por 41 comboios que circularão em simples nesta linha, o que aumenta o número de comboios em reserva e a capacidade de resposta perante incidências.
Além disso, a Renfe indica que a transição durará até ao final de 2027, pelo que, durante o próximo ano, a linha C-1 continuará a ter 447 ou 464 em dupla.

