O futuro do corredor de alta velocidade HS2 entre Birmingham e Manchester regressou ao centro do debate político no Reino Unido. O mayor da Grande Manchester e candidato a substituir o Primeiro‑Ministro Keir Starmer, Andy Burnham, propôs reativar o troço norte cancelado em 2023.
Anunciada no contexto da campanha em Makerfield, a iniciativa visa não só recuperar a ligação ferroviária, mas fazê-lo com um enquadramento técnico e financeiro distinto do originalmente previsto.
Via férrea de alta capacidade para impulsionar o crescimento no norte de Inglaterra
Burnham sustenta que a falta de infraestrutura ferroviária de alta capacidade no norte de Inglaterra está a limitar o crescimento económico regional, sobretudo num contexto em que a West Coast Main Line se aproxima da saturação operacional. A reativação da HS2 entre Birmingham e Manchester permitiria libertar capacidade para serviços de passageiros e para tráfego de mercadorias, reforçando a resiliência da rede.
Do ponto de vista construtivo, a proposta afasta-se das especificações iniciais da HS2. Estudos técnicos apontam para uma linha de menor prestação — com velocidades máximas na ordem dos 300 km/h face aos 360 km/h inicialmente previstos — permitindo reduzir custos através de soluções como via em balastro em vez de via em laje, bem como um maior aproveitamento de infraestruturas existentes. Estimativas de 2024 indicam que este redesenho poderá situar o custo em cerca de 60% do projeto original.
A redução da velocidade máxima está igualmente em análise para o troço Londres–Birmingham em construção, como forma de conter a escalada de custos.
Modelo de financiamento misto para a HS2
No plano financeiro, Burnham propõe um modelo inspirado na Crossrail, combinando investimento público com contributos do setor privado e mecanismos de captura de valor fundiário. Entre estes incluem-se suplementos sobre as taxas empresariais, contribuições urbanísticas e a valorização de terrenos nas imediações das estações. Admite-se também que as regiões retenham uma parcela do imposto sobre o rendimento gerado localmente, em linha com maior descentralização fiscal.
O projeto conta com algum apoio institucional e do setor ferroviário. Entidades como o High Speed Rail Group sublinham que a ligação Birmingham–Manchester é crucial para maximizar o valor da HS2 enquanto rede integrada. Persistem, contudo, dúvidas quanto à viabilidade política de envolver financiamento local e à necessidade de uma contribuição significativa do Tesouro britânico.
Em paralelo, parte dos terrenos e do planeamento já desenvolvidos para o troço cancelado mantém-se válida ou poderá ser reaproveitada, facilitando uma eventual reativação. A ligação enquadra-se ainda na estratégia mais ampla do Northern Powerhouse Rail, orientada para melhorar a conectividade este–oeste no Norte.
Com os custos da Fase Um entre Londres e Birmingham já estimados acima de 100 mil milhões de libras, o debate sobre como e quando estender a rede para norte permanece em aberto, sendo a proposta de Burnham um dos cenários mais definidos até ao momento.
