Hoje, 10 de junho de 2026, a Linha 1 do metro de Barcelona celebra 100 anos. Inaugurada como Metro Transversal nessa mesma data em 1926, mantém-se como a única linha da rede com bitola espanhola de 1.674 mm.
Esta característica técnica torna-a uma das linhas de metro com maior bitola no mundo, apenas ligeiramente ultrapassada por sistemas que utilizam a bitola indiana.
Origem independente do Gran Metro
A Ferrocarril Metropolitano de Barcelona (FMB), fundada em 1920 sob controlo do Banco de Vizcaya, concebeu a linha como um eixo subterrâneo transversal ligando as principais estações ferroviárias da cidade. Para garantir compatibilidade com as redes Norte e MZA, adotou a bitola espanhola.
Por outro lado, o Gran Metropolitano de Barcelona (atual L3) optou pela bitola internacional (1.435 mm).
A Linha 1 constitui assim um remanescente da antiga bitola espanhola, substituída em 1955 pela bitola ibérica (1.668 mm). Enquanto a rede nacional (RFIG) tem vindo a abandoná-la progressivamente, a TMB mantém-na neste caminho-de-ferro metropolitano.
O troço centenário corresponde ao segmento entre Catalunya e a antiga estação de Bordeta, situada entre Mercat Nou e Santa Eulàlia.

Ligação histórica com a rede nacional
A bitola espanhola permitiu uma ligação física entre a L1 e a rede ferroviária nacional (RFIG) na estação de Catalunya. Esta ligação possibilitava transferências de material circulante, embora com utilização residual, tendo sido desmantelada há poucos anos.
Nenhuma outra linha de metro em Espanha dispõe de tal interoperabilidade.
Marcos na história da Linha 1
| Ano | Marco |
|---|---|
| 1926 | A linha do Metro Transversal entra em funcionamento a 10 de junho, com 9 estações, um comprimento de 4 063 metros e uma bitola de 1 674 mm. |
| 1932 | Ampliação do Arco do Triunfo. |
| 1955 | Ligação à L4 em Urquinaona. |
| 1961 | Fusão de empresas (FMB + Gran Metro). Passou a ser conhecida como Linha I. |
| 1982 | Renumerado como L1 no novo mapa. |
| 1989 | Extensão para sul até ao Hospital de Bellvitge (19 de outubro). |
| 1992 | Extensão para norte até Fondo (Santa Coloma). |
| 2002 | Substituição do terceiro carril por uma catenária rígida. |
| Os últimos 20 anos | Modernização das estações, com 86 % delas agora acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida (26 em 30), e a introdução dos comboios da série 8000. |
Atualmente, a linha conta com 30 estações e 20,7 km entre Hospital de Bellvitge e Fondo.
Linha com maior procura
A L1 é a mais longa e a mais utilizada da rede. Dos 469 milhões de passageiros em 2024, 125 milhões (27%) viajaram nesta linha.
O material circulante inclui as séries 6000 e 8000, tendo a série 4000 sido retirada em 2024.

Expansões futuras
Está prevista uma expansão de €788 milhões:
- Para norte até Badalona (mais de 4 km e cinco novas estações).
- Para sul até El Prat Estação.
Um século subterrâneo
O centenário da L1 reflete a evolução urbana e ferroviária de Barcelona. A sua origem como ligação ferroviária e a manutenção da bitola espanhola fazem dela uma linha singular no contexto internacional.
Com 100 anos de operação, a Linha 1 continua a afirmar-se como eixo estruturante da rede, preservando um legado técnico único.
