A Renfe lançou um concurso no valor de 85,4 milhões de euros para renovar totalmente os sistemas de conectividade dos seus comboios de Alta Velocidade e Longa Distância. O operador pretende substituir a atual rede PlayRenfe por uma nova plataforma que integre, numa única infraestrutura, os serviços de Wi-Fi e entretenimento para passageiros e as comunicações operacionais ferroviárias.
Do montante total, 49,7 milhões de euros correspondem a investimento e 35,7 milhões a custos operacionais. A implementação abrangerá 183 composições de todas as séries de alta velocidade, estendendo estas capacidades a mais de 26 unidades adicionais face às atualmente equipadas.
A nova rede combinará LTE, 5G e ligações por satélite de órbita baixa (LEO) para reduzir interrupções de sinal e melhorar a estabilidade, sobretudo em troços com cobertura terrestre limitada.
A infraestrutura ficará igualmente preparada para o 5G NTN (Non-Terrestrial Networks), permitindo a ligação direta entre redes móveis e satélites sem necessidade de infraestrutura terrestre intermédia.
O projeto inclui ainda uma renovação profunda da rede interna a bordo, com capacidade de transmissão até 10 Gbps e reforço da cibersegurança embarcada para proteger equipamentos e software. O tráfego de dados será priorizado por criticidade, privilegiando as comunicações associadas à circulação e à segurança ferroviária face ao entretenimento.
Regresso do entretenimento a bordo?
Para além do Wi-Fi, a plataforma integrará sistemas como informação ao passageiro (PIS), videovigilância (CCTV), diagnóstico remoto do material circulante e gestão energética, bem como futuros serviços digitais. A Renfe admite também a possibilidade de recuperar o entretenimento a bordo através do PlayRenfe.
A implementação será faseada ao longo de cinco anos, com um piloto específico para cada série antes do lançamento definitivo, dado partirem de configurações distintas. Durante a transição, os sistemas atuais coexistirão com a nova infraestrutura, que os substituirá progressivamente.

