Os comboios de passageiros entre Espanha e Portugal poderão estar perante uma notícia mais do que esperada. Segundo fontes não oficiais próximas do processo, Renfe e CP estão a trabalhar na recuperação da ligação entre Madrid e Lisboa. Mas diurna.
De Lisboa a Madrid de dia e pela Estremadura
Tratar-se-ia de um Intercity que circularia via Badajoz, rebocado desde Madrid por uma locomotiva da série 334, e entre a cidade estremenha e a capital portuguesa por uma 5600 que usaria a nova linha Évora–Elvas, já em fase de testes a 200 km/h. Isto representará o regresso das 334 à alta velocidade, após a sua substituição pela série 730 na LAV Ourense–Santiago.
Este serviço seria independente dos planos da Renfe de operar em Portugal com comboios das séries 106 e 107, anunciados por Óscar Puente na semana passada.
Se confirmada esta notícia, seria reaberta uma rota encerrada em março de 2020. Até à pandemia de Covid-19, circulava diariamente o noturno Trenhotel Lusitania. Embora o seu percurso histórico fosse via Cáceres e Valência de Alcântara, o encerramento do troço português fez com que desde 2012 circulasse por Salamanca, circulando acoplado ao Sudexpresso entre Medina del Campo e Lisboa.
Precisamente desde Salamanca se deram eco deste novo serviço. Numa coluna de Carlos Rincón em La Tribuna de Salamanca, o autor cita o percurso pela Estremadura como “mais uma estocada” à província.
Renfe não quer os noturnos pelos altos custos de exploração
Embora a redução dos serviços pela pandemia tenha sido a desculpa para suspender os Trenhotel, em maio de 2020 a Renfe assegurou que não tinha previsto retomar este serviço. Apesar da sua boa procura, tanto o Lusitania como o Sudexpresso eram comboios altamente deficitários pelos grandes custos de exploração.
Sendo comboios comerciais, a Renfe podia sustentá-los com os benefícios gerados pelos comboios mais rentáveis, como o AVE Madrid–Barcelona. Um cenário que mudou com a liberalização.
Desde então, tanto a Renfe como o Governo de Espanha se têm negado a recuperá-lo ou a declará-lo OSP para receber subvenções, apesar da boa vontade de Portugal. A operadora, além disso, tem posto a desculpa de que não tem material, apesar de os coches do Lusitania e Sudexpresso estarem sem uso e vandalizados, mas recuperáveis.
Com a retirada dos Intercity Madrid–Almería e Barcelona–Valência em setembro, a Renfe ia ficar com um único comboio com material rebocado, o Valência–Cartagena. No entanto, com este novo serviço estender-se-á a vida útil dos Talgo VI e das 334.
Assim que se confirme a criação deste novo serviço, informaremos na Trenvista.

