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A Mafex defende que apontar a indústria pelos atrasos nas entregas é uma simplificação

A associação espanhola Mafex afirma que os atrasos na entrega de material circulante resultam de múltiplos fatores ao longo da cadeia de valor, alertando que responsabilizar sobretudo os fabricantes simplifica excessivamente o processo.

A Mafex defende que apontar a indústria pelos atrasos nas entregas é uma simplificação
Comboio da série 452 da Renfe, encomenda que começa a acumular atrasos, na fábrica da Alstom em Santa Perpetua. © MIGUEL BUSTOS.

Miguel Bustos | 12-06-2026.

A Associação da Indústria Ferroviária Espanhola (Mafex) sustenta que atribuir principalmente aos fabricantes os atrasos na entrega de comboios, como indicado pelo ministro dos Transportes Óscar Puente, reduz um problema complexo a uma leitura simplista.

Segundo declarações divulgadas pelo diário 20 Minutos, a entidade sublinha que os atrasos decorrem de “múltiplos elementos” ao longo de todo o ciclo do projeto. A produção de material circulante envolve uma vasta cadeia de fornecimento e mão de obra especializada, onde qualquer falha ou atraso num componente pode comprometer significativamente os prazos.

Entre os fatores apontados estão a elevada complexidade técnica dos projetos, a disponibilidade de componentes críticos e a escassez de pessoal qualificado. A Mafex destaca ainda os processos de validação, homologação e autorização, sujeitos a enquadramentos regulamentares nacionais e europeus. As fases anteriores, como o planeamento de aquisições por operadores e administrações públicas, são igualmente determinantes.

A associação—que integra 121 empresas, incluindo fabricantes como Alstom, CAF, Siemens e Stadler—valoriza o destaque dado à competitividade e aos prazos no debate europeu. No entanto, rejeita a existência de um problema estrutural de capacidade industrial, salientando a liderança tecnológica do setor ferroviário europeu e o seu peso económico em Espanha, onde gera mais de 40.000 empregos.

A Mafex defende uma “abordagem partilhada” que inclua melhor previsão da procura, maior normalização de processos e agilização das certificações. Estas medidas surgem num contexto de forte crescimento global do transporte ferroviário, que exige reforço de capacidades sem perda de eficiência.

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