A espanhola Renfe repetirá a 25 de julho a prova psicotécnica verbal —ou de compreensão escrita— do concurso para 600 operadores comerciais, realizada a 6 de junho, após detetar possíveis coincidências com materiais externos. A decisão segue a recomendação da Advocacia do Estado, que considera a medida a mais garantística para preservar os princípios de igualdade, mérito e capacidade.
A repetição abrangerá 2.213 candidatos —os que superaram a prova de conhecimentos e o psicotécnico numérico— e terá lugar em Madrid, Sevilha, Barcelona e León. A operadora ativou mecanismos de verificação após receber reclamações e remeteu o caso à Advocacia do Estado, cujo parecer conclui que parte do conteúdo poderá ter sido previamente difundido.
Segundo várias fontes, a prova terá coincidido com materiais utilizados em academias de preparação, apontando para uma possível reprodução ilícita. O processo foi gerido com o apoio da consultora People Experts, que terá reconhecido a existência de conteúdos semelhantes em circulação.
A decisão conta com o apoio do SEMAF e responde às reivindicações do sindicato Alferro. CCOO e UGT discordam, considerando que a repetição pode gerar insegurança jurídica e prejudicar candidatos que atuaram de boa-fé. A Renfe sustenta que a incidência é externa, mas assume a responsabilidade de garantir a lisura do processo.
O impacto é maior para os candidatos que, acreditando ter assegurado um lugar permanente na Renfe, já tinham começado a planear a nova etapa profissional, chegando mesmo a abandonar empregos anteriores.

